Às 16h21 do dia 9 de agosto de 2025, em Freches, concelho de Trancoso, o fogo nasceu feroz e espalhou-se sem piedade, alcançando freguesias vizinhas e rasgando fronteiras para Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Aguiar da Beira e Sernancelhe.
Viajámos pela negridão. Do alto, através do olhar de um drone, registámos cenários onde reina o silêncio — campos despidos, serras feridas, aldeias envoltas em cinza. É uma viagem dolorosa, mas necessária, para recordar que o que se perdeu não pode ser esquecido.
As chamas devoraram o que encontraram, mas não conseguiram apagar a coragem dos que enfrentaram o inferno de frente: Bombeiros Voluntários, Força Especial de Proteção Civil, Exército e GNR, lado a lado com populares de mãos calejadas pela aflição e pela fé.
A cada dia que passa, o fumo cobre o céu como um luto coletivo, e a paisagem arde também no peito de quem a ama.
O incêndio deixou um rastro de destruição e ausência, mas também a certeza de que, mesmo quando a cor se apaga, há sempre quem lute para reacender a vida.