A Confraria dos Amigos da Capeia Arraiana (CACA) concluiu, no passado fim de semana, a instalação da Cápsula do Tempo 2050 (CT2050), um projeto que pretende preservar para as futuras gerações a memória, a identidade e a tradição daquela que é uma das maiores referências culturais da raia sabugalense.
A cápsula foi colocada na Rotunda da Capeia Arraiana, onde permanecerá encerrada até 2050. O conjunto é composto por uma estrutura artística concebida pelo arquiteto João Sanches e por um reservatório em aço inoxidável AISI 316, onde foram depositados documentos, testemunhos e diversos contributos recolhidos junto de particulares e entidades da região.
Entre os participantes na iniciativa estiveram a Câmara Municipal do Sabugal, várias Juntas de Freguesia, os Bombeiros do Soito e a própria Confraria, que reuniram materiais representativos da história e da identidade da Capeia Arraiana para serem descobertos apenas dentro de 25 anos.
A CT2050 tinha sido inaugurada simbolicamente a 26 de abril, durante o III Capítulo da Confraria, realizado na Capela de Nossa Senhora da Consolação, nos Forcalhos, numa cerimónia presidida pelo Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, pelo presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Vítor Proença, e pelos dirigentes da CACA.
O encerramento definitivo da cápsula contou igualmente com a presença de Vítor Proença, dos presidentes das juntas de Aldeia Velha, Rebolosa e União de Freguesias de Lageosa e Forcalhos, além de confrades e representantes de diversas entidades.
Na cerimónia, o chanceler da Confraria, António Pissarra, destacou o simbolismo da iniciativa e apelou à continuidade da missão de preservar a Capeia Arraiana, recordando o lema da instituição: “Traditio Numquam Murietur – A Tradição Nunca Morrerá”. O responsável lançou ainda o desafio para que, aquando da abertura da cápsula em 2050, seja renovado o compromisso de manter este legado vivo por, pelo menos, mais 25 anos.
Já o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Vítor Proença, sublinhou que a Capeia Arraiana representa a manifestação cultural mais identitária da zona raiana do concelho, lembrando que esta tradição integra o Património Cultural Imaterial de Portugal, classificação recentemente revalidada. O autarca destacou ainda o apoio unânime do executivo municipal a este projeto.
Como forma de manter viva a memória da iniciativa, a CACA irá assinalar anualmente a Cápsula do Tempo através da colocação de uma placa evocativa em cada uma das pedras que desenham o forcão instalado na rotunda. O chanceler propôs ainda a criação de um “passeio da fama” das Terras do Forcão, com 13 estrelas em granito, cada uma identificando uma das localidades ligadas à tradição da Capeia Arraiana, simbolizando a união das comunidades na preservação deste património único.