Portugal regista em 2025 a maior área ardida da última década, com 222 mil hectares consumidos pelas chamas até terça-feira.
O incêndio que deflagrou em Freches, Trancoso, a 9 de agosto e que entrou em resolução no domingo consumiu 49.324 hectares, enquanto o fogo que começou no Piódão, em Arganil, a 13 de agosto, e que continua ativo, já devastou 47.432 hectares, segundo o relatório provisório do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), do ICNF, a que a agência Lusa teve acesso.
Estes dois incêndios estão entre os maiores alguma vez registados em Portugal, apenas atrás do fogo de Vilarinho, Lousã, em 2017, que destruiu 53 mil hectares, considerado o mais extenso desde que há registos. Contudo, o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) aponta já para 57.596 hectares consumidos em Arganil, segundo dados atualizados até hoje.
Dez maiores fogos de 2025
De acordo com o relatório, o terceiro maior incêndio deste ano ocorreu em Sátão, com 13.769 hectares, que juntamente com o de Trancoso originou um complexo que afetou 11 municípios dos distritos de Viseu e Guarda.
A lista dos dez maiores fogos inclui ainda:
- Freixo de Espada à Cinta – 9.472 hectares
- Sabugal – 9.338 e 8.928 hectares (dois incêndios distintos)
- Trancoso (14 de agosto) – 8.673 hectares
- Guarda – 7.151 hectares
- Ponte da Barca – 7.164 hectares (único registado em julho)
- Mirandela – 5.775 hectares
Todos os restantes ocorreram em agosto, o mês que concentra 83% da área ardida em 2025, equivalente a 185 mil hectares.
Balanço nacional
No total, até terça-feira, 73 grandes incêndios (com mais de 100 hectares cada) foram responsáveis por 96% da área ardida em Portugal. O distrito da Guarda é o mais afetado (68.908 hectares), seguido de Viseu (40.398) e Castelo Branco (25.352).
Já os distritos do Porto (1.538 incêndios) e Braga (614) registaram o maior número de ocorrências, mas sobretudo de pequena dimensão.
Por concelhos, Trancoso (17.239 hectares) e Covilhã (16.647) lideram como os mais atingidos, seguidos de Sernancelhe, Sabugal, Mêda, Arganil e Penedono, todos com mais de 10 mil hectares ardidos.
Causas identificadas
Desde janeiro, foram contabilizados 6.536 incêndios, dos quais 4.002 já investigados. Entre as causas apuradas, o incendiarismo representa 29%, seguido de queimadas (10%) e reacendimentos (9%).
Apesar de ser o quinto ano com menos ocorrências, 2025 regista até agora a maior área ardida da última década, com 222 mil hectares consumidos.