A Serra da Estrela foi oficialmente aprovada como Reserva da Biosfera da UNESCO, passando a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, uma das mais prestigiadas distinções internacionais atribuídas a territórios que conciliam a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável.
A decisão foi anunciada hoje durante a 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB) da UNESCO, que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, no Paraguai.
A nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 km², distribuída pelos seis municípios que integram o Parque Natural da Serra da Estrela, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã. O território encontra-se organizado em três zonas complementares: uma Zona Núcleo, destinada à proteção dos valores naturais mais relevantes, com 212,55 km²; uma Zona Tampão, com funções de mediação ecológica, abrangendo 679,65 km²; e uma Zona de Transição, dedicada ao desenvolvimento de atividades humanas sustentáveis, que ocupa 1.480,80 km², correspondendo a cerca de 62% da área total da reserva.
Reconhecida pela sua riqueza ecológica, a Serra da Estrela alberga 30 habitats incluídos na Diretiva Habitats da União Europeia, constituindo um importante repositório de biodiversidade e património cultural. Os seus ecossistemas de montanha, espécies endémicas e mosaicos agroecológicos refletem uma relação secular entre as comunidades locais e o meio natural.
A candidatura foi promovida pela Associação Geopark Estrela e contou com a coordenação científica da Professora Helena Freitas, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. A académica representou Portugal na sessão do Conselho Internacional de Coordenação, acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Manteigas.
O processo resultou de um amplo trabalho colaborativo que envolveu autarquias, instituições de ensino, organizações ambientais e diversos representantes da sociedade civil, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, aprovado em novembro de 2024.
Com esta aprovação, a Serra da Estrela passa a acumular duas importantes classificações atribuídas pela UNESCO ao mesmo território: o estatuto de Geopark Global UNESCO, obtido em julho de 2020, e agora o de Reserva da Biosfera. Ambos os reconhecimentos serão geridos de forma integrada, permitindo uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis e reforçando os objetivos comuns de conservação, valorização territorial e desenvolvimento sustentável.
Mais do que um reconhecimento internacional, esta designação representa um compromisso ativo com os objetivos globais de proteção da biodiversidade definidos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal. Simultaneamente, cria novas oportunidades para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em inovação ambiental, sustentabilidade e educação para a natureza.
O ponto mais alto de Portugal continental, com 1.993 metros de altitude, assume agora também o papel de laboratório vivo para a implementação de soluções que promovam a coexistência harmoniosa entre conservação da natureza e desenvolvimento humano, contribuindo para o combate à desertificação, a adaptação às alterações climáticas e a valorização do conhecimento tradicional das comunidades de montanha.
Com a integração da Serra da Estrela na Rede Mundial de Reservas da Biosfera, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera reconhecidas pela UNESCO, reforçando a sua posição internacional no domínio da conservação da natureza e da gestão sustentável dos territórios.