A cidade de Seia prepara-se para viver dias de grande intensidade com a 15.ª edição do trail Oh Meu Deus, que este ano regista números históricos: cerca de dois mil atletas inscritos, provenientes de 62 nacionalidades, vão marcar presença entre 1 e 3 de maio.
A prova dá um salto significativo no panorama internacional ao tornar-se a primeira competição portuguesa integrada no prestigiado circuito UTMB World Series, colocando o país, e em particular a região, no mapa global do trail running.
Com percursos desenhados pelas serras da Estrela, Açor e Lousã, o evento promete não só desafiar os limites físicos dos participantes, mas também destacar a riqueza natural do território. A organização sublinha que a competição irá “transformar Seia no epicentro global do desporto de natureza” durante três dias.
Agora denominada “Oh Meu Deus by UTMB”, a iniciativa resulta de uma parceria entre a Horizontes Turismo Desportivo, responsável pela prova desde 2011 e o Turismo do Centro de Portugal. O objetivo vai além da vertente desportiva: pretende-se contribuir para a valorização e regeneração da Cordilheira Central, duramente afetada pelos incêndios do último verão e, mais recentemente, pela tempestade Kristin.
O evento afirma-se como um símbolo de recuperação, promoção territorial e projeção internacional, reunindo atletas, natureza e resiliência num só palco.
Oh Meu Deus by UTMB não é apenas uma corrida. É um sinal claro de que o território se levanta, se reinventa e se afirma perante o mundo. A cordilheira central, Lousã, Açor e Estrela volta a respirar, volta a receber, volta a inspirar”, afirmou, citado na nota, Paulo Alexandre Garcia, diretor da prova.
O evento terá impacto nacional com raízes locais, levando a Seia, durante três dias, entre três a quatro mil pessoas, desde atletas, equipas, famílias e visitantes e mobilizando ainda centenas de voluntários, produtores locais, associações e agentes do território.
“O impacto económico direto estimado ultrapassa os dois milhões de euros, com efeitos imediatos na restauração, alojamento, comércio local e serviços turísticos”, refere o comunicado.
“A chegada da UTMB à Serra da Estrela é muito mais do que um evento desportivo — é um sinal claro de que o Centro de Portugal tem capacidade, talento e identidade para receber o mundo. Este é um território que se levanta, que se reinventa e que volta a afirmar-se com orgulho”, afirmou, por seu turno, Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal.
A prova ‘Oh Meu Deus by UTMB’ integra cinco distâncias, com destaque para a prova de ‘endurance’, que cobrirá um percurso de mais de 100 milhas (164 quilómetros), atravessando as serras da Lousã (com subida ao Trevim, acima dos 1.200 metros), Açor e Estrela, incluindo a subida à Torre (1.993 metros), o ponto mais alto de Portugal continental.
Os concorrentes terão 44 horas (quase dois dias) para cumprir a prova de ‘endurance’, que começa às 16:00 de 1 de maio na vila da Lousã e tem um ganho de elevação de mais de 9.000 metros.
Dados divulgados hoje estimam que os concorrentes mais rápidos possam concluir o percurso em cerca de 21 horas (chegando a Seia ao início da tarde de sábado), enquanto os mais lentos têm hora limite de chegada, no dia seguinte, pelas 12:00 de domingo.
Quem cumprir a prova principal de 164 quilómetros em até 34 horas, poderá ainda aceder à corrida Viriato – um desafio extra de 40 quilómetros – que terá de ser percorrido dentro de um limite de 10 horas, com início e final em Seia, e passagem pela Lapa dos Dinheiros, Sazes da Beira e Vila Cova à Coelheira.
Para além da prova ‘rainha’, o Oh Meu Deus by UTMB inclui ainda uma prova de 94 quilómetros com início e chegada a Seia e uma subida à Torre da serra da Estrela (com um tempo máximo permitido de 26 horas), outra de 52 quilómetros pelo vale glaciário e aldeias de montanha (com partida de Loriga e que terá de ser cumprida, no máximo, em 13 horas) e uma de 22 quilómetros, com um percurso menos exigente, entre São Romão e Seia, a cumprir em seis horas.
O circuito UTMB inclui mais de 50 provas pelo mundo, incluindo quatro ‘majors’, que bonificam no acesso às finais, tradicionalmente no final de agosto, em Chamonix, nos Alpes franceses.