Projeto CIRCWOOL quer transformar o desperdício de lã em produtos destinados à agricultura em Figueira de Castelo Rodrigo e Beira Interior

pessoa a tosquiar ovelha

O projeto CIRCWOOL – Promover a circularidade da lã para um futuro regenerativo é um dos vencedores da 7.ª edição do Concurso Promove, uma iniciativa da Fundação “la Caixa” e do BPI, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que visa apoiar a dinamização socioeconómica das regiões de fronteira do interior de Portugal.

A iniciativa conta com parceiros estratégicos de relevo, nomeadamente o Município de Figueira de Castelo Rodrigo, através da Plataforma de Ciência Aberta, as Associações de Criadores de Ruminantes da Guarda (ACRIGUARDA) e de Almeida (ACRIALMEIDA), e é coordenada pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa (ISA-ULisboa), através do centro de investigação LEAF – Linking Landscape, Environment, Agriculture and Food.

O CIRCWOOL surge como resposta a um desafio estrutural do território, com impacto à escala nacional e internacional: a valorização da lã de ovelha, atualmente considerada um resíduo sem valor económico significativo para os criadores. O projeto propõe a conversão deste desperdício em produtos destinados à melhoria da qualidade dos solos, especialmente em áreas de menor produtividade agrícola, contribuindo simultaneamente para a retenção de água no solo e a mitigação dos efeitos da seca.

Em Portugal, o setor da pecuária enfrenta um paradoxo crescente: a tosquia das ovelhas é obrigatória para assegurar o bem-estar animal, mas a lã — outrora conhecida como “ouro branco” — transformou-se num resíduo de difícil escoamento, acarretando custos de gestão e acumulação. É para inverter este ciclo que nasce o projeto CIRCWOOL.

Segundo Diego Arán, coordenador do projeto e investigador do ISA-ULisboa, “o CIRCWOOL posiciona-se estrategicamente ao combinar a exploração de novos produtos agrícolas e a sua avaliação em condições reais de campo com o estudo de estratégias de cooperação, valorização e marketing”. O investigador acrescenta que “os produtos agrícolas desenvolvidos no âmbito do projeto serão testados na melhoria dos solos de olivais e pastagens da região, que enfrentam desafios significativos ao nível da fertilidade e da disponibilidade hídrica”.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, Carlos Condesso, o projeto representa “um marco na estratégia de desenvolvimento do território a nível nacional”. O autarca sublinha que “a inovação só faz sentido quando resolve problemas reais da comunidade”, considerando que “o CIRCWOOL é a prova viva de que a ciência, quando feita em diálogo com a comunidade, pode transformar um encargo financeiro para os criadores de gado numa solução preciosa”.

“Não estamos apenas a gerir resíduos; estamos a criar uma nova economia circular que fixa valor no território, protege a biodiversidade e contribui para a regeneração da nossa terra”, conclui Carlos Condesso.

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