O som inconfundível dos chocalhos voltou a ecoar pelas encostas da Serra da Estrela, anunciando que uma das mais antigas tradições pastoris da região estava, uma vez mais, a cumprir-se. Neste sábado, 4 de julho, os pastores conduziram os rebanhos rumo às pastagens de altitude, mantendo viva uma prática ancestral que continua a fazer parte da identidade serrana.
Apesar das elevadas temperaturas e das restrições impostas pela Situação de Alerta decretada pelo Governo devido ao risco de incêndio rural, a essência da transumância não se perdeu. Sem o habitual acompanhamento do público e com um percurso adaptado, os pastores seguiram o seu caminho, passo a passo, lado a lado com as ovelhas, numa caminhada marcada pela resistência, pela experiência e pelo profundo respeito pelos ciclos da natureza.
Ao longo do percurso, o tilintar constante dos chocalhos misturou-se com o silêncio da montanha, compondo uma melodia que há gerações acompanha a subida dos rebanhos. Um som que, todos os verões, anuncia a chegada dos animais às pastagens de altitude, onde permanecerão durante os meses mais quentes.
A Festa da Transumância e dos Pastores, realizada no Sabugueiro, decorreu este ano num formato adaptado, mas sem perder o seu verdadeiro significado. A envolvente da Capela de Nossa Senhora de Fátima acolheu o almoço-convívio e momentos de animação cultural, reunindo participantes em torno das tradições ligadas ao pastoreio, à montanha e à vida das comunidades serranas.
Mesmo sob um calor intenso, os pastores voltaram a demonstrar a resiliência que sempre caracterizou esta atividade. Com o rebanho à frente, percorreram os caminhos da serra como os seus antepassados fizeram durante séculos, perpetuando uma tradição que continua a resistir ao tempo e às mudanças.
A Festa da Transumância e dos Pastores é promovida pelo Município de Seia, em colaboração com os pastores do concelho.
A transumância permanece um símbolo vivo da cultura da Serra da Estrela. É um património feito de saberes, de esforço, de memória e de ligação à terra, que continua a passar de geração em geração, mantendo intacta uma das imagens mais emblemáticas da vida pastoril portuguesa.







