A paisagem dos concelhos de Celorico da Beira e da Guarda poderá ganhar, nos próximos anos, uma nova presença de grandes dimensões: a Iberdrola Renewables Portugal está a avançar com o projeto de um novo parque eólico, atualmente numa fase preliminar de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), que prevê a instalação de 14 aerogeradores, quatro dos quais associados à área de estudo no concelho de Celorico da Beira.
O projeto, promovido pela empresa espanhola de energia, prevê uma potência instalada de 100,8 megawatts (MW) e uma produção anual estimada de 262,78 gigawatts-hora (GWh). Cada aerogerador poderá ter uma potência máxima de 7,2 MW, uma altura de cerca de 114 metros até ao veio e um rotor com 172 metros de diâmetro.
No território de Celorico da Beira, o projeto abrange as freguesias de Açores e Velosa, Lajeosa do Mondego, Ratoeira, Baraçal, Forno Telheiro e a União das Freguesias de Celorico (São Pedro e Santa Maria) e Vila Boa do Mondego. De acordo com a documentação apresentada à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), os aerogeradores identificados como 9, 10, 11 e 12 estão associados à zona norte da área de estudo, estando atualmente em análise uma solução de acesso a partir de Celorico da Beira, através da A25.
Já no concelho da Guarda, o projeto abrange as freguesias de Guarda, Arrifana, Pêra do Moço, Alvendre, Cavadoude, Porto da Carne, Sobral da Serra, Vila Franca do Deão e a União de Freguesias de Avelãs de Ambom e Rocamondo.
A intervenção não se limita às torres eólicas. O projeto contempla também plataformas de montagem, acessos, uma rede elétrica subterrânea de média tensão, uma subestação e uma linha aérea de muito alta tensão (LMAT) de 220 kV, destinada a transportar a energia produzida até à subestação de Chafariz, em Celorico da Beira.
Para esta ligação foram definidos, nesta fase, dois corredores alternativos, cada um com 400 metros de largura. Ambos terão como destino a subestação de Chafariz, estando a escolha final dependente dos estudos técnicos e ambientais que serão realizados nas próximas fases.
A linha elétrica terá cerca de 18 quilómetros, atravessando uma área onde existem várias condicionantes territoriais e ambientais. O estudo salienta que os corredores foram definidos procurando evitar zonas habitacionais, áreas ambientalmente sensíveis e outras condicionantes, sendo ainda necessário aprofundar a análise relativamente à biodiversidade, paisagem, património e avifauna.
Um dos aspetos que coloca o projeto sob avaliação ambiental prende-se precisamente com a sua proximidade a estruturas eólicas já existentes. O documento identifica o Parque Eólico de Sincelo, atualmente em funcionamento, com 22 aerogeradores, a menos de dois quilómetros do novo projeto.
Esta proximidade faz com que o novo parque esteja obrigatoriamente sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental, sendo necessário analisar também os impactes cumulativos resultantes da concentração de vários parques eólicos na mesma área.
A área de estudo global do projeto, incluindo os corredores alternativos da linha elétrica, abrange aproximadamente 5.920 hectares. O documento refere ainda que a localização dos aerogeradores e dos acessos poderá ser afinada durante a elaboração do Estudo de Impacte Ambiental, com o objetivo de minimizar a afetação de habitats, valores ecológicos, património e paisagem.
Apesar de o processo já ter entrado numa fase formal de Avaliação de Impacte Ambiental, a construção do parque ainda não está aprovada. A consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito decorreu entre 6 e 26 de agosto de 2026.
A própria APA esclarece que a decisão sobre a Proposta de Definição de Âmbito diz respeito ao conteúdo que deverá ser analisado no Estudo de Impacte Ambiental e não constitui uma decisão sobre a construção do projeto. A decisão final sobre o Parque Eólico da Guarda será tomada numa fase posterior do procedimento de AIA.
Ainda assim, a documentação já permite perceber a dimensão da intervenção prevista e o papel que Celorico da Beira poderá assumir no novo projeto energético, não apenas por receber parte dos aerogeradores, mas também por acolher a futura ligação à rede elétrica através da subestação de Chafariz.
Segundo a documentação apresentada, até ao momento não foram identificadas incompatibilidades que inviabilizem a implementação do projeto, embora o processo de consulta às entidades ainda estivesse em curso e as condicionantes identificadas tenham de ser aprofundadas no futuro Estudo de Impacte Ambiental.