Galeria d’Artes de Foz Côa recebe exposição “O Gesto como Princípio – Manuel Cargaleiro”

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A Galeria d’Artes do Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa recebe, a partir do próximo dia 29 de janeiro, a exposição “O Gesto como Princípio – Manuel Cargaleiro”, dedicada a um dos mais destacados nomes da arte portuguesa dos séculos XX e XXI. A inauguração está marcada para as 17h00, permanecendo a mostra patente ao público até 5 de abril.

Organizada pelo Município de Vila Nova de Foz Côa, em parceria com a Fundação Manuel Cargaleiro, esta exposição resulta de uma primeira e inédita colaboração entre as duas entidades. A iniciativa integra um programa de itinerância da coleção, cujo objetivo é promover a circulação e a divulgação da obra do Mestre em diferentes territórios, aproximando-a de novos públicos e contextos culturais.

A proposta curatorial apresenta uma leitura singular da obra de Manuel Cargaleiro, colocando o gesto no centro da sua linguagem artística. Mais do que um elemento cronológico, o gesto é entendido como um princípio de valor, assumindo-se como atitude plástica e ética que atravessa o desenho, a obra gráfica e a cerâmica, fundamentando a forma, o ritmo e a cor.

O percurso expositivo inicia-se com um núcleo de desenhos a tinta-da-china, onde a síntese e a gestualidade revelam a essência do pensamento visual do artista. Segue-se a apresentação de obra gráfica, com especial destaque para serigrafias produzidas entre as décadas de 1970 e 2010, nas quais o gesto inicial se expande em composições cromáticas de grande vitalidade. O diálogo é aprofundado com a presença de obras cerâmicas e azulejos, que evidenciam a transposição desta linguagem para o espaço tridimensional.

Apresentada em Foz Côa, território marcado pela permanência do gesto humano na paisagem, a exposição ganha uma ressonância particular. Sem estabelecer paralelos históricos diretos, a mostra propõe um encontro conceptual entre obra e território, reforçando a ideia do gesto como expressão essencial e intemporal da criação artística.

Manuel Cargaleiro faleceu em 2024, aos 97 anos, deixando um legado de relevância incontornável no panorama cultural português e internacional. Após esse momento, a Fundação Manuel Cargaleiro iniciou um processo de reestruturação, relançando a sua atividade em 2025 com uma estratégia renovada. Este novo ciclo aposta numa atuação mais ativa na circulação e itinerância da coleção, no reforço de parcerias institucionais e no apoio à criação artística contemporânea. É neste contexto que surge o lançamento dos Prémios Manuel Cargaleiro, uma iniciativa que reafirma o compromisso da Fundação com os jovens artistas e com a continuidade do legado do Mestre.

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